1.2.21

Oceanos Particulares e o Caos que foi 2020: Uma reflexão sobre o Ano que passou

 

" Para mim viver este momento me fez sentir como se cada pessoas ao meu redor estivesse se afogando em um oceano particular. Meu peito pesava com um misto de culpa e arrependimento, era como se ao mesmo tempo em que eu estava no lugar da vitima eu também era a testemunha. Do lado de cá, inerte, parada à beira do mar assistindo aquela cena de sofrimento sem poder fazer nada."

Falar sobre o ano que passou não é nada fácil para mim. Logo quando decidi iniciar um projeto novo e "dar um rumo" a minha vida percebi logo nos primeiros 30 dias que se passaram que nada seria tão fácil o quanto eu havia imaginado.

Uma pandemia mundial, isso mesmo, algo que dificilmente imaginaríamos enfrentar tomou conta de tudo e fez com que não somente os meus planos mas o de varias outras pessoas fossem adiados por um tempo indeterminado. Vidas foram perdidas ao longo dos dias que se passavam, trabalhos deixaram o ambiente corporativo e passaram a ocupar a sala de alguns lares. Os números de casos não paravam de subir, o isolamento social tornou-se obrigatório e uma onda de desemprego, fome e miséria tomou conta do nosso pais. Fazendo necessário que medidas paliativas fossem adotadas para amparar aqueles que em meio a tudo que acontecia encontravam-se presos em suas casas e sem nenhuma fonte de renda.

Tudo isso fez com que eu enxerga-se o momento como um barco que afundava cada vez mais rápido e a relação entre pessoas e salvas vidas era uma conta que não fechava. Os jornais noticiavam casos e mais casos, a procura por uma vacina era algo para ontem. Já do lado de cá da tela estava eu, com meus pais que são do grupo de risco por terem mais de 60 anos e sem ter como ajudar em nada para tentar resolver aquela situação.

É difícil de explicar esse sentimento, mas para mim viver este momento me fez sentir como se cada pessoas ao meu redor estivesse se afogando em um oceano particular. Meu peito pesava com um misto de culpa e arrependimento, era como se ao mesmo tempo em que eu estava no lugar da vitima eu também era a testemunha. Do lado de cá, inerte, parada à beira do mar assistindo aquela cena de sofrimento sem poder fazer nada.

Pouco sei sobre o que cada pessoa sentia, mais dentro de mim o medo começou a crescer cada vez mais. E logo pequenos comportamentos quase impercebíveis que eu tinha revelaram uma face que até então era desconhecida. O meu inocente balançar de pernas se intensificou cada vez mais e acabou tornando-se uma inquietação que com o passar dos dias foi tirando minha fome, trazendo um uma sensação de exaustão, que por mais que eu dormisse não diminuía de forma nenhuma. Estes e também  outros comportamentos e sentimentos que passei a ter, eram sinais que meu corpo dava para mostrar que dentro de mim as coisas não estavam indo tão bem.

Meu psicológico já não era mais o mesmo, a irritabilidade constante e que na maioria das vezes era desencadeada por coisas bestas, mostrava que eu não suportava mais aquela situação. O que seria de mim? Como ficaria nosso futuro? Quando tudo isso chegaria ao fim? Eram pensamentos que estavam presentes comigo desde quando eu abria os olhos pela manhã ou os fechava a noite para dormir.

Com o passar quase arrastado dos dias chegamos ao fim do ano, sem clima natalino, sem poder reunir a família ou amigos porque a quarentena e o isolamento social ainda era extremamente necessário para diminuir o avanço do vírus. Sabendo tudo que poderia ser feito ou não e levando em conta a atual situação em que estávamos, passei por uma pequena crise existencial.

Me questionei varias e varias vezes sobre o que havia acontecido com a Suelen do começo do ano, aquela que criou varias metas e objetivos para alcançar. Percebi então que ela estava aqui, ainda dentro de mim. Sentada como se tenta-se proteger o rosto com os joelhos e os ouvidos com as mãos. Afinal foi isso que eu havia tentado fazer todo esse tempo, me distanciar daquela enxurrada de noticias que cada vez mais me entristeciam e me faziam desejar que tudo apenas voltasse a ser como antes. Foi ai então que me vi em uma situação em que eu tinha duas escolhas a fazer. Aceitar o que passou, o tempo que perdi e retomar tudo que eu havia planejado ou simplesmente me deixar levar pelas ondas do que estava acontecendo e ficar estagnada.

Não vou dizer que está sendo fácil, pois não está. Desde que tudo começou e recebemos a noticia de que o Covid-19 estava se espalhando pelo mundo se passaram mais de 300 dias. A falta que faz a rotina que tínhamos impacta diretamente no nosso comportamento e o isolamento traz uma sensação de solidão mesmo quando estamos em nossos lares.

Sabe aquela sensação de se sentir sufocado em meio a multidão e a única coisa que você quer é poder sair dela e respirar livremente? Ela ainda não passou. Mas diferente do começo do ano onde eu deseja loucamente esse momento e não vivia o meu agora, desta vez estou lidando de forma diferente. Aceitei que não posso sair da multidão agora e que tenho que fazer de tudo para não deixa-la me sufocar.

Esta postagem por exemplo é uma forma de me encontrar novamente em meio ao caos que foi 2020. Continuo aqui vivendo um dia de cada vez, esperançosa por dias melhores mas sem me deixar perder novamente. Aos poucos as coisas vão voltando ao normal, relembrar tudo isso e escrever me traz a sensação de que foi tirado um peso de dentro de mim. Além de me conectar com outras pessoas que estão vivendo coisas parecidas. Eu estou aqui, tá? Você não esta só em meio a tudo isso. ❤

2 comentários:

  1. Que reflexão linda e emocionante.👏🏽👏🏽👏🏽

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    1. Oi, obrigada!❤️ Expressei tudo que senti todo esse tempo.

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